mas não largo meu carro”

.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.
É assim que vejo os preocupados ambientalistas de ocasião, cheios de iniciativas e discursos sobre reciclar, reutilizar, transformar (quase tudo sempre em obra de “arte”), consumir lixeiras de plástico coloridas. Mas as atitudes mais impactantes somem de suas iniciativas.
Impressiona-me até pessoas que se espremeram em transportes coletivos cheios e escassos, além de ultrapassados, que ao adquirir um carro esquecem imediatamente o que já passaram. E nada de procurar melhorar o transporte público. O que prevalece é o individualismo, um trânsito caótico e poluição. Por aqui, quanto mais espaço para carrão importado e menos para corredor de ônibus, melhor. Não se quer desvalorizar seu imóvel. Metrô em bairros “nobres” não pode ser de superfície também e o resultado é morte e um grande buraco. E um vazio na vida de quem depende do transporte de massa.
Os ambientalistas de ocasião vão dizer o que sempre disseram: o transporte coletivo não é de boa qualidade. Sim, ouço isso há anos mas nunca ouvi, ou vi, qualquer iniciativa para melhorar essa realidade.
A cansada classe média sabe que pode reclamar, ao contrário do povo que não tem voz. A única presença do Estado na vida dos excluídos, autorizada pela sociedade, é a da polícia. Sobre isso é bom assistir à “Notícias de uma Guerra Particular” e no embalo à “Dom Hélder Câmara – O Santo Rebelde“, grande camarada.
É a mesma situação que observo na educação, onde pais diferenciados pelas suas condições sociais não dão a menor bola à luta dos professores. Não se incomodam com greves, pelo menos não tomam qualquer atitude, já que a situação perdura e o ensino se deteriora.
Adoro estudar, aprender sempre. Quanto mais cursos, mais conhecimento, melhor para mim. Vou entrar mais uma vez na vida acadêmica, numa universidade pública, e espero não lutar sozinha, como me sinto agora. Se queremos um mundo melhor, a hora é agora. Somos revolucionários preguiçosos? É só para ficar esperneando? E a questão da saúde? E a política? Temos de deixar que comandem nossas vidas e só enxergar nossos umbigos? Cito Chomsky (por que não?):
“responsabilidade é algo que cresce através do privilégio, pessoas como eu e você têm um montante incrível de privilégios e então temos uma responsabilidade também enorme. Vivemos em sociedades livres em que não tememos a polícia, temos uma riqueza disponível extraordinária pelos padrões globais. Se você possui também essas coisas, tem também o tipo de responsabilidade que alguém que passa 70 horas por semana trabalhando para botar comida na mesa não tem –a resposabilidade de pelo menos se informar sobre o poder. Além disso, esta é uma questão de saber se você acredita em certezas morais ou não.”
Vou falar mais sobre carros, a relação das pessoas com eles e como a sociedade se reflete no trânsito. E para os mais curiosos, apesar de já ter tido carro (por um pequeno, muito pequeno espaço de tempo), digo que não gosto de dirigir, quanto mais de possuir tal máquina. Mas como disse, vou escrever muito mais em breve.
Aguardem…
.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.
.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.


